SUCESSO BRASILEIRO NA ADVOCACIA DOS EUA
Por Márcia Rodrigues

Aadvogada Genilde Guerra é um exemplo vivo de que força de vontade, dedicação e muita determinação para enfrentar os obstáculos profissionais são os ingredientes primordiais para atingir o sucesso. Genilde conseguiu o que parecia impossível para a maioria dos advogados brasileiros e até entrangeiros: conquistar a América do Norte e depois o mundo. Bem-sucedida, a advogada é hoje sócia da Law Offices of Kravitz & Guerra, P.A., uma das mais conceituadas bancas de advocacia dos Estados Unidos, com escritórios espalhados por todo o mundo. Tal reconhecimento não veio por acaso. Genilde é advogada com um “Juris Doctor” formada pela Universidade de Miami. Antes disso, tornou-se bacharel em Negócios Internacionais pela Barry University. Hoje, a advogada é licenciada pela Corte Suprema dos Estados Unidos e pela Corte Suprema do Estado da Flórida, fala cinco línguas fluentemente e como resultado do sucesso conquistou o sonho americano e desfila em uma flamante Ferrari vermelha.

M&N - Conte um pouco sobre sua trajetória.
Genilde - Eu nasci no Rio Grande do Sul, adoro os pampas e o estilo de vida daquela região, tanto que visito Porto Alegre com freqüência. Imigrei para os Estados Unidos na década de 80, depois de estudar na Suíça Francesa por um ano. Fiz toda a minha graduação nos Estados Unidos. Aqui aprendi o valor da competição e do esforço pessoal. Os EUA são um país maravilhoso, nos dá muitas oportunidades, mas também há muita competição. Grandes talentos e excelentes profissionais do mundo inteiro estão aqui competindo com a gente. Por isso é preciso ter muita perseverança para continuar sempre em frente em seus objetivos.

M&N - Você é uma advogada conceituada e muito respeitada no meio jurídico. Alguma vez teve dificuldade, financeira ou faltou-lhe oportunidade, para chegar aonde chegou?
Genilde - No meu ponto de vista, tudo que vale a pena na vida necessita de muito esforço. Por ser estrangeira, tive de enfrentar vários obstáculos, como a falta de conhecimento de uma nova cultura e adaptação a uma nova língua. Para um imigrante é muito difícil interpretar as informações de tudo o que acontece em outro país, porque tudo depende da maneira ou do conhecimento cultural de cada um. É o tão falado fator sociológico que tanto pesa quando se muda para outro país. A advocacia requer um conhecimento profundo da língua inglesa, o que foi uma barreira para mim no início, por ser estrangeira.
Também enfrentei algumas discriminações quando recém- chegada, mas logo entendi que não poderia cair na mediocridade e que essa discriminação não poderia abalar-me. Certamente, eu não saí do Brasil com um pensamento pequeno. Saí do meu país em direção ao mundo e não somente para os Estados Unidos. Ainda hoje faço questão de dizer que um dos meus melhores patrimônios é ser brasileira.

M&N - Qual a sua formação?
Sou advogada com um “Juris Doctor” formada pela Universidade de Miami. Antes disso, formei-me bacharel em Negócios Internacionais pela Barry University. Sou licenciada pela Corte Suprema dos Estados Unidos e pela Corte Suprema do Estado da Flórida.

M&N - Você é especialista em imigração. Como foi que optou por essa área? Fez alguma especialização?
Genilde - O meu escritório presta assistência jurídica nas áreas empresarial, comercial, imobiliária e de imigração. Particularmente, sou apaixonada pela área de imigração. Fiz muitos cursos e realizei várias horas de especialização e treinamento. A combinação de imigração com a área de negócios internacionais me fascina. Por ser imigrante e ter um interesse especial pelo comportamento humano e de diversa culturas, posso identificar as necessidades dos empresários e trabalhadores do mundo todo quando chegam aqui. Os EUA são uma grande nação feita por imigrantes, mas infelizmente as leis não são claras para todos os povos. Até mesmo o empresário, considerado um imigrante mais sofisticado, sofre divergências no entendimento dos procedimentos e das leis americanas, o que é uma barreira para o progresso e, conseqüentemente, para a globalização.

M&N - Há quanto tempo saiu do Brasil? Sempre morou em Miami?
Genilde - Estudei um ano na Suíça Francesa e depois segui para EUA, especificamente em Miami, onde fiz faculdade, mestrado e doutorado. Também realizei vários cursos e extensões universitárias em instituições, como Harvard, University College of London, na Inglaterra, e Sorbone, em Paris. Mas Miami é a cidade onde me sinto em casa. Está em uma posição estratégica em relação à Europa e América Latina, o que a torna um local ideal para morar.

M&N - Você sempre quis morar fora do Brasil ou tudo aconteceu naturalmente?
Genilde - Aconteceu naturalmente. Quando fui terminar meus estudos secundários na Europa, ainda era muito jovem e não tinha imaginado morar fora do Brasil, porque é o meu país e o adoro. Posso dizer que felizmente tive a oportunidade de não abandonar o Brasil, mas, sim, ampliar os meus horizontes. Morando em Miami, considero com se morasse no mundo, inclusive no Brasil.

M&N - Foi difícil a fase de adaptação?
Genilde - Depende do ponto de vista. Na minha opinião, não existe nada fácil, e isso é a beleza da vida. Sou apaixonada pela vida, por isso considerei o desafio da adaptação gratificante e revigorante. Hoje me sinto em casa e muito confortavelmente nos EUA, porque tenho uma visão muito global. E sinto que faço parte do mundo.

M&N - Como você lida com as saudades do Brasil e de seus familiares?
Genilde - Felizmente moro numa cidade de fácil acesso para todos que me visitam e consigo manter um sabor de Brasil sempre que necessito.

M&N - A área de imigração é muito disputada por profissionais do Direito?
Genilde - Sim, é uma área extremamente concorrida, mas quem tem competência se estabelece, e quem não tem, padece. Eu sou advogada e adoro a minha profissão, meus clientes e as nuances da lei. Isso faz que eu e a minha equipe nos dediquemos a buscar as melhores soluções para cada desafio.

M&N - Quais os conhecimentos jurídicos que um advogado deve ter para atuar nessa área?
Genilde - O exercício profissional requer um profundo conhecimento da lei e de suas nuances. A leis americanas são muito abrangentes. É preciso vários anos de experiência na área de imigração, assim como de seus procedimentos, para conseguir bons resultados. Nos EUA, os advogados se formam em mestrado e doutorado e não somente bacharelado como em muitos outros países. Isso requer muita dedicação e um conhecimento profundo da jurisprudência assim como identificação das necessidades pessoais de cada cliente. É preciso ficar atenta aos detalhes. Para ser um bom advogado, não é possível focalizar-se apenas em um aspecto da questão jurídica. É preciso ter uma visão global.

M&N - Como funciona a atuação nessa área?
Genilde - Eu poderia usar uma analogia. No caso, um hospital tem especialistas em diferentes setores para responder a essa questão. O advogado de imigração precisa especializar-se em diferentes segmentos das leis americanas. Também é necessário um conhecimento comercial internacional para poder fornecer um suporte completo ao cliente, considerando que as leis se sobrepõem. Essa assessoria é fundamental para auxiliar o profissional a ingressar no mercado americano. Também é preciso entender as necessidades específicas de cada cliente e adaptá-las às devidas circunstâncias.

M&N - Você sempre atuou no Law Offices of Kravitz & Guerra, P.A. ou também já trabalhou em outro escritório?
Genilde - Trabalhei em diferentes firmas internacionais, mas considero o meu atual o mais profissional de todos. A equipe e o profissionalismo como desempenham o seu trabalho são excelentes. Tenho muito orgulho da maneira como atuamos e dos resultados que conquistamos em decorrência disso.

M&N - O Law Offices of Kravitz & Guerra, P.A. está presente em quantos países? Quais?
Genilde - Nós somos advogados de imigração americanos. Servimos todos os países que queiram fazer negócios ou imigrar para os EUA. Somos reconhecidos e respeitados internacionalmente. O que me permite, felizmente, dizer que somos os melhores em nosso ramo.

M&N - Foi difícil aprender outros idiomas? Aliás, quantas línguas você fala?
Genilde - Sim, foi difícil. Falar diferentes línguas para mim não foi fácil. Mas, com esforço, tudo é possível. Adoro gente, e a comunicação é o que me faz ficar mais próximas delas. Atualmente falo cinco idiomas fluentemente: português, francês, inglês, espanhol e italiano.

M&N - Muitos seriados americanos apresentados na TV a cabo relatam a vida do advogado. Esse profissional é muito valorizado nos EUA?
Genilde - Sim, nos EUA, o advogado é um dos profissionais mais importantes na vida do cidadão. Tudo o que uma pessoa quer fazer necessita da orientação de um advogado. As leis americanas são muito abrangentes e extremamente complexas. Nos EUA, enfatiza-se o uso preventivo da lei a favor dos direitos e deveres legais de cada pessoa.

M&N - Qual a sensação de obter sucesso profissional?
Genilde - O melhor fruto da minha carreira profissional é a satisfação pessoal diária, sabendo que consegui proporcionar uma vida melhor a cada um de meus clientes. Essa sensação é inenarrável e realmente é a minha força de viver e de ser uma excelente profissional. O resto são recompensas de um esforço e uma dedicação profissional que levo no fundo de meu coração.

M&N - O sucesso traz muitas recompensas. Quais as mais significativas?
Genilde - A satisfação que tenho é fazer parte do mundo. Fico muito feliz por ter amigos em toda parte. Faço o possível para manter o meu conhecimento vivo e apreciar cada nova cultura que tenho o privilégio de conhecer.
Mesmo com pouco tempo disponível, viajo para lugares exóticos e tento participar do dia-a-dia dessas culturas. Também me fascina ser parte de legítimas obras de caridade.
Faço sempre o possível e o que está ao meu alcance para proporcionar um mundo melhor para todos nós.

M&N - Quais as suas dicas para um advogado que está começando a carreira?
Genilde - Dedicação e esforço sempre dão bons resultados. Ser advogado é uma excelente formação. Ser advogado é uma boa base para ser um bom empresário.
O estudo do Direito, além de ampliar o entendimento legal e comercial do cidadão, também proporciona um excelente senso ético. A melhor opção é escolher uma profissão ou área por que se tenha uma paixão ou talento natural.
M&N - Qual a sua opinião sobre a atuação do advogado brasileiro em relação ao mercado internacional?
Genilde - Os brasileiros são considerados excelentes profissionais. Em termos internacionais, estamos alcançando a nossa devida posição na arena global. Contudo ainda falta um número significativo de profissionais brasileiros com reconhecimento internacional em vários campos especialmente legal e comercial.

M&N - Você tem intenção de montar uma filial do seu escritório no Brasil?
Genilde - Prestamos assistência jurídica para todas as pessoas que queiram viver, estudar, trabalhar ou ampliar seus negócios nos EUA.
O Brasil para mim, como brasileira, tem um lugar especial no meu coração e sempre faço um esforço especial para trazer meu conhecimento de advogada americana, além de treinamento internacional para os meus compatriotas.
Estamos com excelentes planos para trazer o nosso conhecimento legal mais perto do Brasil.

M&N - Como estão as negociações?
Genilde - Já temos um Centro de Informação Jurídica para facilitar o contato com os nossos clientes. A área jurídica vai permanecer concentrada no escritório central, na Brickell Avenue, em Miami, Flórida. Nos demais escritórios, temos vídeoconferência conectados diretamente à central. Assim o cliente pode-se comunicar diretamente conosco sem ter que vir aos EUA.

M&N - Já existem profissionais sendo sondados para contratação?
Genilde - Uma vez que será um Centro de Informação Jurídica, inicialmente os advogados serão da nossa equipe americana.
Mas contratações são possíveis, porque temos interesse em ampliar nosso trabalho e fornecer a qualidade de serviço que hoje oferecemos aos nossos clientes no escritório central de Miami.

M&N - Como será a administração da filial brasileira?
Genilde - Tenho interesse de ficar o maior tempo possível no meu país. Mas, infelizmente, ainda não disponho desse tempo precioso. Sempre que vou ao Brasil, não posso ficar mais do que uma semana.
Por isso, num primeiro momento, ficarei responsável pela coordenação e dividindo o meu tempo entre os escritórios da Europa e do Brasil.