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RESPIRANDO HARVARD
Jay Lorsch é
Professor de Relações Humanas na Harvard Business School
(Boston, EUA) em todos os seus programas educacionais. É autor
de inúmeros livros, dentre os quais “Alinhando as Estrelas”.
Como consultor já atendeu empresas, como Ameritech, Applied Materials,
the Bank of Montreal, Citicorp, Chubb and Sons, Coopers & Lybrand,
Corning Glass, General Electric, Goldman Sachs, Merck Sharp & Dohme.
É Mestre em Negócios pela Columbia University (1956) e Doutor
em Administração de Negócios pela Harvard Business
School (1964).
Ao participar do curso “Liderança de Empresas de Serviços
Profissionais” na Harvard Business School, a consultora Lara Selem
entrevistou-o especialmente para a revista Advogados M&N.
Lara Selem: Professor Lorsch, no seu livro “Alinhando as Estrelas”,
a abordagem principal versa sobre uma empresa de serviços profissionais
que alcança o sucesso mediante conexões entre a estratégia,
a organização e os profissionais. Quais são as dificuldades
de fazer isso acontecer num escritório de advocacia?
Jay Lorsch: Uma das dificuldades está em compreender bem o que
é alinhamento, só assim você verá a conexão
entre estratégia, organização e profissional. Sugiro
a leitura o livro “Alinhando as Estrelas” para entender o
quadro todo. A segunda dificuldade, uma vez entendido o que quer dizer
o alinhamento, é como implementar as mudanças necessárias
para melhorar o alinhamento. Isso pode envolver o recrutamento de pessoas
diferentes considerando mudanças na estratégia, na organização
ou sistemas.
Lara Selem: Em um escritório de advocacia, uma das grandes tarefas
dos sócios-gerentes que produzem é que eles precisam advogar
e, ao mesmo tempo, liderar e gerenciar a banca. Quais são suas
recomendações para que eles possam superar o dilema 'tempo'
a curto e longo prazo?
Jay Lorsch: O sócio-gerente precisa criar uma agenda pessoal de
prioridades para determinar a que tarefas ele quer dedicar quanto tempo.
Se ele se mantiver focado demais naquilo que mais gosta de fazer, a advocacia,
tenderá a deixar de lado aquilo que é mais importante construir
a banca de advogados. O ideal é calibrar as duas necessidades:
advogar e administrar.
Lara Selem: É comum haver um hiato entre a teoria exposta (o que
é dito) e a teoria em uso (o que é feito). Como os sócios
de escritórios de advocacia podem reduzir esse hiato de forma a
dar direção à equipe e fazer da estratégia
uma realidade?
Jay Lorsch: A única forma que eu conheço para reduzir esse
hiato é manter o foco nas teorias que funcionam na prática,
essa é a razão da idéia do alinhamento ser entendida
em termos concretos.
Lara Selem: Quais são os fatores que fazem um escritório
de advocacia ser bem-sucedido?
Jay Lorsch: As duas chaves essenciais para o sucesso de uma banca de advogados
são o talento humano e o alinhamento. O trabalho de uma empresa
de serviços profissionais depende exclusivamente do talento e da
inteligência das pessoas que o realizam. Bons escritórios
contratam os melhores e os desenvolvem, os motivam e constroem suas carreiras
de forma que estejam todos comprometidos com a advocacia e com a banca
por um longo período. Bons escritórios desenvolvem práticas
organizacionais que motivam essas pessoas espetaculares a servir bem aos
clientes. Buscar esse caminho é o que nós chamamos de alinhamento.
Lara Selem: Que conselhos o senhor daria aos sócios de um escritório
de advocacia que está desalinhado e quer crescer? Quais são
as conseqüências e dificuldades? Que mecanismos integradores
o senhor sugere?
Jay Lorsch: O crescimento pode significar uma armadilha e uma desilusão.
Quanto maior for a banca, mais você sentirá que pode ser
competitivamente bem-sucedido, porém mais difícil será
controlar e coordenar seus sócios. Antes de tomar a decisão
de crescer, esteja certo de que dispõe dos meios para gerenciar
uma banca maior.
Lara Selem: Em sua opinião, o que o senhor pode antever como tendências
no mercado da advocacia para os próximos três ou cinco anos?
Jay Lorsch: A maior tendência serão as bancas maiores. Mesmo
com os problemas eles não desanimarão o crescimento completamente,
porque o crescimento é visto como caminho para o sucesso competitivo
e a riqueza na advocacia. Em conseqüência, as dificuldades
de gerenciamento das firmas maiores não são vistas claramente,
ou são ignoradas. Minha predição é que muitas
bancas se esforçarão para perseguir o 'Santo Graal' do tamanho.
E irão ignorar a estratégia alternativa de permanecer focadas
e de serem 'as melhores' em um determinado nicho.
Lara Selem: Os meios para implementar a estratégia
organizacional são relacionados a sistemas de pessoal, estrutura
e governança, cultura e liderança. O que o senhor poderia
dizer aos sócios de escritórios de advocacia no Brasil para
ajudá-los a organizar as idéias e iniciar o alinhamento
de suas bancas? Quais são os passos-chave?
Jay Lorsch: A compreensão do alinhamento provavelmente começa
com a avaliação de dois aspectos de sua situação,
o ambiente competitivo e a potencialidade dos sócios e outros talentos.
Isso poderá ajudá-lo a entender o que nós podemos,
deveríamos fazer para servir os clientes melhor que a concorrência.
Com essa compreensão, você poderá considerar a motivação
organizacional como um elo de ligação entre as capacidades
profissionais e as necessidades estratégicas.
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