FACULDADES EVOLUEM?

Por Gilberto Saraiva

Vivemos em um mundo, constantemente, em evolução. A globalização já se faz presente em todos os níveis da civilização, notadamente, nos centros urbanos. As comunicações acontecem em tempo real. A tecnologia chega aos profissionais de todas as áreas. As informações, através da internet, estão à disposição de todos. A competitividade é acirrada e cada vez maior. O número de profissionais de nível superior aumenta quase geometricamente. A super-especialização é o caminho mais procurado pelos profissionais.
Por outro lado, as Universidades formam profissionais do mesmo modo que há vinte ou trinta anos atrás. Os currículos preocupam-se, somente, em dar uma formação técnica, específica, para o ramo de atividade escolhido pelo aluno.
Na área do Direito, os Advogados são atirados, no mercado de trabalho, sem os conhecimentos básicos para o pleno exercício da profissão.
Fora os conhecimentos técnicos, que são insuficientes, o profissional não recebeu, nos bancos acadêmicos, as mínimas informações sobre como desenvolver seu trabalho em sua área de atividade. Na maioria das vezes fica bastante desorientado e estressado.
Ninguém lhe falou como administrar um escritório de advocacia. Os cuidados que deverá ter com a organização administrativa, com o controle dos arquivos, dos processos, dos custos, do financeiro, das relações humanas no trabalho, da hierarquia interna, dos métodos de negociação, do marketing profissional, do foco e do nicho a ser escolhido. A atitude e o perfil do advogado também não são tratados nos bancos universitários.
Parece não haver, por parte das universidades, uma preocupação com a evolução da sociedade, com as exigências do mercado face à globalização.
Os clientes estão cada vez mais preocupados com a eficácia e a qualidade do profissional. A fidelidade não existe mais. Os clientes vão em busca de profissionais ou escritórios competentes, ágeis e cujo custo lhes seja conveniente.
O número de advogados ativos no Brasil, chega à cifra de 450.000. Somente, em São Paulo, temos, em atividade, aproximadamente, 153.000 profissionais do Direito.
Todos estes fatores levam o Advogado a procurar cursos que lhe possa suprir os conhecimentos necessários para um bom desempenho em sua atividade.
É claro que o tempo demandado, na realização de cursos, prejudica-lhe o ganho financeiro e o rendimento profissional.
Se as universidades do País incluíssem, em seus currículos, disciplinas que proporcionassem tais conhecimentos aos alunos, os profissionais do direito ficariam muito melhor preparados para desenvolverem, mais rapidamente e com sucesso, suas atividades, no dia-a-dia do mundo moderno.